Redação Bem Paraná com informações do Uol
A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) disse nesta sexta-feira (5),
véspera do Carnaval, que detectou a presença de zika vírus com potencial
de infecção por saliva e urina, mas a transmissão ainda não foi
confirmada.
A evidência, baseada na análise de amostras de dois pacientes com
sintomas compatíveis com a doença, sugere a necessidade de investigar a
relevância destas vias alternativas de transmissão viral, de acordo com a
entidade, vinculada ao Ministério da Saúde e referência no assunto.
A evidência, que é inédita, pode ou não ser relevante. A forma de
transmissão da zika até hoje comprovada é pela picada do mosquito Aedes
aegypti.
Nos EUA, também está em análise uma suspeita de transmissão sexual da
doença. Com a possibilidade de contágio pela saliva, a zika se
assemelharia a doenças como mononucleose, a chamada de "doença do
beijo", herpes e candidíase (sapinho).
Segundo os pesquisadores brasileiros, parte das amostras de saliva
foram colocadas em contato com células utilizadas para verificar
atividade viral de vírus como os da zika, dengue e febre amarela
(pertencentes à família dos flavivírus). Na experiência, essas células
foram destruídas após o contato, "o que comprova a atividade viral",
concluí a pesquisa.
A zika é quase assintomática e, em geral, não oferece riscos à saúde.
No entanto, os efeitos do vírus da zika em bebês ainda intrigam
cientistas. Evidências apontam que a microcefalia pode ser apenas um dos
danos neurológicos da síndrome fetal associada a zika.
Hoje, o principal problema investigado são as crianças que nascem com 32 cm ou menos de perímetro cefálico, e que são notificadas como suspeita de microcefalia. Até o início da semana, eram 3.670 casos de suspeita investigados, além de 404 bebês com microcefalia ou síndromes neurológicas confirmadas.
Hoje, o principal problema investigado são as crianças que nascem com 32 cm ou menos de perímetro cefálico, e que são notificadas como suspeita de microcefalia. Até o início da semana, eram 3.670 casos de suspeita investigados, além de 404 bebês com microcefalia ou síndromes neurológicas confirmadas.
Segundo o professor de infectologia da USP (Universidade de São
Paulo) e coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde do
Estado de São Paulo, Marcos Boulos, há outros tipos de lesões
neurológicas --normalmente oculares e auditivas-- que acometem crianças
que nascem com a cabeça de tamanho considerado normal.
"Existem vários tipos de problemas que não estão associados
obrigatoriamente à microcefalia", diz. "Você pode falar que é uma
síndrome específica da zika que dá microcefalia. Mas a síndrome da zika
pode dar muitas coisas, entre elas a microcefalia, que pode estar dentro
de uma síndrome maior", completa.
O problema já é de conhecimento do Ministério da Saúde, que informou
investigar "todos os casos de microcefalia e outras alterações do
sistema nervoso central informados pelos Estados e a possível relação
com o vírus zika e outras infecções congênitas."
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