sábado, 6 de fevereiro de 2016

Novo teste deve confirmar aumento de dengue, zika e chikungunya no Paraná


Exame do Lacen identifica, ao mesmo tempo, as três doenças e reduz tempo de identificação de sorotipo de 40 para sete dias

Divulgação/Sesa
Técnica funciona apenas em pacientes que tenham começado a apresentar sintomas em, no máximo, cinco dias; estimativa é que produção de exames semanais salte de 60 para 1,4 mil

Curitiba – O Paraná deve confirmar novos casos de zika vírus, dengue e chikungunya na próxima quarta-feira, quando está prevista a divulgação do boletim atualizado sobre o Aedes aegypti, por parte da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). A informação foi repassada ontem pelo chefe da pasta, Michele Caputo Neto, durante coletiva de imprensa em Curitiba, para anúncio da disponibilização do teste multiplex, que identifica, ao mesmo tempo, se há presença de cada uma das três doenças no organismo. A metodologia foi desenvolvida pelo Laboratório Central do Estado (Lacen), que seguiu um protocolo do Centro de Controle e Prevenções de Doenças (CDC) de Atlanta, nos Estados Unidos, considerado referência mundial.
"A gente não trabalha com especulação. Mas vai aumentar sim o volume de resultados confirmados. Também vamos colocar questões que só foram possíveis de identificar graças a essa simultaneidade (possibilitada pelo multiplex)", afirmou. Segundo o secretário da Saúde, ainda é preciso verificar se o vírus foi contraído no Estado ou fora dele.
Das dez suspeitas de microcefalia relacionadas ao zika registradas no último informe, com dados de 27 de julho de 2015 a 31 de janeiro de 2016, nove foram descartadas. Em relação à dengue, houve aumento de 28% nos casos, embora a quantidade de cidades em epidemia permaneça a mesma: 11. O Paraná apresentou 3.444 situações da doença, sendo 3.102 autóctones (contraídas localmente). Os municípios com maior incidência são Paranaguá (931), Foz do Iguaçu (657) e Londrina (441).
O novo teste funciona da seguinte forma: a amostra é processada até se obter o material genético do vírus, que é então ampliado. Os profissionais do Lacen promovem duas reações, para verificar a presença ou ausência de cada uma das enfermidades. A técnica funciona apenas na fase aguda, isto é, com pacientes que tenham começado a apresentar sintomas em, no máximo, cinco dias. Conforme a coordenadora de seção de biologia molecular do laboratório, a farmacêutica bioquímica Irina Riediger, em torno de 500 exames já foram realizados. "A gente sempre prima por atender a legislação vigente, que me exige um processo de validação. Trabalhamos com as amostras, para garantir a segurança de desempenho. Por isso que só está sendo liberado agora", contou.
De acordo com ela, o que muda é a capacidade de pesquisar simultaneamente o vírus, com método molecular. "Reduzimos a identificação de sorotipo, que demorava em torno de 40 dias, para sete dias", explicou, lembrando haver quatro tipos diferentes somente de dengue. O secretário estima que o número de exames semanais salte agora de 60 para 1,4 mil.

CUSTO MENOR
Haverá ainda redução de custos, uma vez que o impacto financeiro previsto é de 2/3 do que é gasto atualmente por teste; ou seja, de R$ 40, as despesas passarão a R$ 13. "Ganha-se na condição estratégica de avançar nesse enfrentamento e diminui-se o ruído, muitas vezes de especulação. Vamos poder, nos boletins semanais, dar um retrato muito mais realista da situação", resumiu. Ainda segundo Caputo Neto, qualquer laboratório brasileiro que tiver interesse em assimilar a técnica pode procurar a Sesa, que organizará a demanda.
Mariana Franco Ramos
Reportagem Local / folha web

Nenhum comentário:

Postar um comentário