Folhapress / bem paraná
BRUNO VILLAS BÔAS RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Principal custo
de vida das famílias brasileiras, alimentos e bebidas mais do que
dobraram de preço nos últimos dez anos, período em que avançaram acima
da média inflação geral do país.
O cálculo, feito pela consultoria Tendências com a base de dados do
IBGE, mostra que a inflação do grupo alimentação e bebidas foi de
124,12% de fevereiro de 2006 a janeiro de 2016, o maior avanço entre os
nove grupos acompanhados.
No mesmo período, o índice oficial de inflação teve um aumento de
78,42%. Segundo Márcio Milan, economista da Tendências, os alimentos
subiram de preço nesses dez anos por uma combinação de alta das
commodities, eventos climáticos (muita chuva ou a falta dela) e maior
demanda. "Os brasileiros tiveram nesse período um ganho de renda que
permitiu consumir mais produtos, principalmente industrializados. Foi um
aumento da demanda que ajudou a pressionar os preços", disse Milan.
O aumento de custo dos alimentos foi acompanhado de perto pelo grupo
chamado despesas pessoais (119,42%), que inclui serviços como empregado
doméstico.
JANEIRO
O IBGE divulgou nesta sexta-feira (5) que os alimentos foram o maior
vilão do IPCA de janeiro. O grupo teve uma alta de 2,28%, a maior para o
mês de janeiro ao longo do Plano Real, lançado em 1994. Os destaques
foram alimentos como cenoura (32,64%), tomate (27,27%), cebola (22,05%),
batata-inglesa (14,78%) e alho (10,81%).
Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de preços do IBGE, o
aumento seria típico do mês e foi intensificado por diferentes fatores,
como clima, câmbio e mesmo aumento do diesel. "O [fenômeno climático] El
Niño também provoca aumento forte de temperatura e isso pode resultar
em prejuízo para o agricultor", disse Eulina, ao apresentar o resultado
do IPCA nesta sexta-feira. O avanço do dólar contribui ao pressionar
preços em reais de insumos, como fertilizantes. Ela disse que os preços
de pedágio também ficaram mais caros e podem ter influenciado preços de
transporte.
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