Depois do fracasso das articulações contra o impeachment da
presidente Dilma Rousseff na Câmara, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva vai se dedicar a articular a resistência contra um eventual
governo Michel Temer. Interlocutores do ex-presidente avaliam que,
apesar da derrota, Lula ainda pode se beneficiar com o afastamento de
Dilma e chegar a 2018 como candidato de oposição.
Segundo o Instituto Lula, o ex-presidente ainda não decidiu se vai
disputar a Presidência pela sexta vez. Mas os sinais são cada vez mais
fortes. No sábado, 16, em ato com manifestantes anti-impeachment, em
Brasília, Lula disse que “espera chegar em 2018”. Aliados do
ex-presidente dizem que o petista ficou animado com resultado de
pesquisas que o colocam na liderança da disputa eleitoral.
O presidente do PT, Rui Falcão, já disse que Lula se colocou à
disposição para viajar o País ainda este mês. A avaliação de que Lula
poderia “fazer do limão uma limonada” é recorrente entre interlocutores
do ex-presidente. Para eles, caso o impeachment de Dilma se confirme no
Senado, Temer vai enfrentar um cenário negativo na economia em médio
prazo e desgaste político por ter se aliado ao presidente da Câmara,
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na condução do impeachment. A esperança dos
petistas é que Lula surja como o salvador da pátria em 2018. “Ele não
vai e não deve jogar a toalha por causa do resultado de hoje”, disse
Celso Marcondes, diretor do Instituto Lula.
No curto prazo, o ex-presidente vai continuar articulando a defesa do
mandato de Dilma no Senado, independentemente de assumir ou não o
ministério da Casa Civil e apesar de estar ciente de que a tarefa é
praticamente impossível.
Lula também vai liderar a reação ao possível governo Temer em
parceria com movimentos sociais ligados ao PT. A ideia é aproveitar a
alta rejeição ao vice apontada em pesquisas para carimbar sua gestão
como ilegítima.
Eleições gerais
Setores do PT defendem que o partido lance os próximos dias uma
campanha nacional de coleta de assinaturas em apoio a uma Proposta de
Emenda Constitucional (PEC) por novas eleições presidenciais.
O ex-presidente tentou convencer deputados a votarem contra o
impeachment até momentos antes do início da votação na Câmara. No
sábado, viajou para São Paulo onde conversou com o apóstolo Valdemiro
Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus.
Santiago tem influência sobre três deputados federais, mas Lula pediu
que ele o ajudasse a ampliar o apoio a Dilma na bancada evangélica.
Preocupado com os protestos previstos, Lula também aproveitou a ida a
São Paulo para tirar sua família do apartamento de São Bernardo do
Campo, acomodando-a em outro local não divulgado.
De volta a Brasília na manhã de domingo, continuou telefonando para
deputados a fim de conquistar votos para Dilma. Investiu nos indecisos,
mas também tentou mudar a avaliação dos que já tinham opinião formada,
como Paulo Maluf (PP-SP). Muitos, no entanto, não atenderam suas
ligações.
Lula falou pessoalmente com Maluf, que, ao chegar ao plenário da
Câmara, comparou Dilma à Virgem Maria e disse não ver motivos jurídicos
para o afastamento da petista, mas votou a favor do impeachment. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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