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| Em junho, anúncio de nova unidade do Festval mobilizou centenas de candidatos a emprego./Foto: Aniele Nascimento |
Em meio à crise, as principais redes paranaenses de supermercado
mantêm investimentos e anunciam quase uma dezena de novas lojas para
este ano. São investimentos que ultrapassam os R$ 180 milhões e devem
gerar, somente no estado, 2 mil empregos diretos.
Uma das explicações para a expansão está na própria característica do
setor. Segundo Angelina Stockler, sócia-fundadora da consultoria
ba}Stockler, o varejo supermercadista trabalha com um item de primeira
necessidade e, por isso, é um dos últimos a sentir os impactos da crise e
um dos primeiros a sair com a retomada econômica.
Enquanto a economia brasileira começou a entrar em recessão a partir
do segundo trimestre de 2014, o setor de hipermercados e supermercados
sentiu o impacto em 2015. No Paraná, o volume de vendas passou a
apresentar resultados negativos a partir de novembro, quando registrou
queda de 0,1% na variação acumulada em 12 meses.
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Mercado sem crise
Apesar de o volume de vendas do setor estar em baixa, os
supermercados paranaenses mantiveram investimentos e ampliaram o número
de lojas nos últimos quatro anos. Em 2015, os cinco maiores grupos do
Paraná faturaram juntos R$ 10,7 bilhões e possuíam 160 lojas.
Variação acumulada de 12 meses
Fonte: Abras e IBGE. Infografia: Gazeta do Povo.
Para o presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras) e
fundador-presidente do Condor, Pedro Joanir Zonta, os hipermercados
sentem mais os efeitos da crise, pois trabalham com itens de maior
valor, como eletrodomésticos. Já os supermercados, que focam em produtos
de consumo diário e material de limpeza, estão se mantendo ou
crescendo. “Um hipermercado é dividido por vários setores. O
eletrodoméstico está com queda de 30%; as confecções, de 40%; e o bazar,
15%. Já no supermercado, como no setor de refrigerados, congelados,
padaria, hortifrúti, não está havendo queda”, explica Zonta.
Ederson Muffato, diretor do Grupo Muffato, observa que a frequência
de compra diminuiu, mas que o ticket médio se manteve. “Na crise, há
categorias que caem e outras que crescem. O consumidor está trocando de
marca, optando por embalagens maiores e está mais atento a promoções e
oportunidades.”
As redes paranaenses também perceberam os primeiros sinais da crise em 2014 e começaram a diminuir custos. “Tomamos algumas medidas como redução de custo, revisão de contrato com fornecedores e entrada no mercado livre de energia”, diz Ederson Muffato.
Reduzir custos e aumentar a eficiência é uma tendência. De acordo com
a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em 2014 o foco foi a
reforma de lojas e, no ano passado, os grupos passaram a construir novas
unidades e a destinar recursos para áreas de prevenção de perdas,
automação e climatização.
Inaugurações marcam 2016
Os principais grupos de supermercado do Paraná mantiveram seus
projetos de expansão para este ano projetando uma retomada econômica ao
mesmo tempo em que aproveitam melhores condições para espaços
estratégicos.
A maior rede do estado, o Muffato, inaugurou duas novas lojas no
primeiro semestre deste ano, ambas em shopping centers de Londrina. O
investimento total foi de R$ 10 milhões e 600 empregos foram gerados
direta e indiretamente. No segundo semestre, a rede vai inaugurar mais
duas lojas de atacarejo em Curitiba, da bandeira Muffato Max Atacadista,
nos bairros Atuba e CIC. Os investimentos somam R$ 40 milhões e devem
gerar 800 empregos diretos.
Já o Condor inaugurou no início do ano uma nova loja em Araucária, na
Região Metropolitana de Curitiba (RMC), e em Joinville, no estado de
Santa Catarina. A loja da RMC custou R$ 40 milhões e gerou 240 empregos
diretos. A unidade catarinense saiu por R$ 50 milhões e criou 450 novos
postos de trabalho. A rede ainda vai abrir, no fim de julho, mais um
supermercado no bairro Boa Vista, em Curitiba. A construção começou há
seis meses e o espaço terá 3,2 mil m² de área de vendas. Para essa
unidade, foram investidos R$ 40 milhões e gerados 250 empregos diretos.
Após a inauguração, o Condor passa a somar 43 mercados.
O Festval, bandeira que pertence à Cia Beal de Alimentos, quarta
maior rede do Paraná, também vai ganhar força. A rede alugou dois
espaços comerciais deixados pelo Mercadorama em 2015, no Centro Cívico e
no Bigorrilho, e prevê inaugurá-los ainda neste ano. O investimento não
foi revelado, mas 300 novos empregos estão previstos.
R$ 3,9 bilhões
De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o
setor investiu no ano passado R$ 3,9 bilhões, valor quase 60% superior
ao previsto. A expectativa para este ano é que os investimentos alcancem
R$ 3,2 bilhões. Os números não contemplam Carrefour e Walmart. Já o
faturamento nominal do setor atingiu R$ 315,8 bilhões em 2015, valor 7%
superior ao registrado no ano anterior.
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