gazeta do povo
| Foto: Antônio More. |
O suspeito de terrorismo preso no Paraná tem 21 anos, é morador de
Colombo, na região metropolitana de Curitiba e trabalhava em uma rede de
supermercados. Nascido em Guarulhos-SP, ele não tinha passagem alguma
pela polícia até agora. O jovem está entre os dez presos suspeitos de
integrar uma organização terrorista que planejava atos para a Olimpíada
do Rio de Janeiro -- ao todo são 14 investigados, dois deles estão
foragidos e houve duas conduções coercitivas. É o primeiro inquérito no
Brasil com base na nova lei antiterrorismo (Lei 13.260/2016), sancionada
há pouco mais de três meses.
Os nomes dos suspeitos não foram revelados pelo juiz da 14ª Vara
Federal de Curitiba, Marcos Josegrei da Silva. O magistrado concedeu
entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (21), em Curitiba, na
sede da Justiça na capital. Ele também não divulgou as cidades e as
profissões dos suspeitos. Os suspeitos não possuem ascendência
árabe. São brasileiros, mas todos usavam nomes ou apelidos árabes na
internet.
De acordo com o juiz, o jovem detido na RMC não é um dos líderes da
suposta organização. O caso veio para Curitiba em razão da residência
dele. “Há pessoas que têm conhecimento maior da dinâmica deste tipo de
organização e têm pessoas que fazem manifestações menos incisivas. Não
ousaria dizer que há uma liderança”, afirmou o magistrado.
As idades dos demais não foram reveladas, mas, segundo o juiz, eles
têm entre 20 e 40 anos. Dois deles já cumpriram pena por homicídio e
todos os demais demonstraram, durante as investigações iniciais, alguma
intenção em usar violência durante os Jogos. Apesar disso, as apurações
não mostraram um alvo específico. Comentavam sobre a presença dos
estrangeiros de países que fazem parte da coalização que combate o
Estado Islâmico na Síria e no Iraque.
Publicidade
“Especificamente, não poderia afirmar que tem um alvo delimitado. Mas
há conversas no sentido de que os Jogos Olímpicos estão chegando e que o
Brasil não integra a coalizão de países que combatem a organização
terrorista Estado Islâmico e seria uma oportunidade de atentar contra
pessoas de outros países que integram a coalizão”, explicou Josegrei.
As conversas interceptadas por telefone, aplicativos de mensagens
instantâneas e pelas redes sociais mostram exaltações aos atentados
terroristas recentemente cometidos ao redor do mundo. “Há afirmações que
as pessoas integrariam organização terrorista. Falam que é um ato
nobre, que deveria ser parabenizado”, disse o juiz.
Defensores da Sharia e cautela
De acordo com o magistrado, os suspeitos participavam de um grupo em
rede social chamado “Defensores da Sharia”, a lei islâmica. Apesar de
todos os indícios, Josegrei afirmou que as prisões não significam a
condenação de nenhum deles, embora a possibilidade seja justificada.
“É preciso deixar bem claro o seguinte. São afirmações na internet,
no meio virtual. As prisões e as buscas têm como finalidade justamente
tentar obter elementos que confirmem ou não isso. É importante deixar
claro que nem tudo que alguém preconiza no meio virtual necessariamente
ela vai fazer no mundo real”, afirmou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário