Redação Bem Paraná com informações do Estadao.com
A pressão das ruas contra o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
e sobre o presidente Michel Temer levou o Palácio do Planalto a
descartar qualquer possibilidade de ajudar o parlamentar a manter o
mandato na sessão que decidirá o futuro político dele, marcada para esta
segunda-feira (12), na Câmara. Para o governo, a digital da Presidência
numa articulação favorável a Cunha poderá fortalecer os protestos
anti-Temer.
A cassação do ex-todo-poderoso presidente da Câmara, por outro lado,
seria a demonstração de que a gestão de Temer não tem compromisso com o
colega de partido e antigo aliado, a quem o PT tenta atribuir a
responsabilidade pelo impeachment de Dilma Rousseff em parceria com o
próprio presidente.
Segundo um interlocutor de Temer, a pressão das ruas contra Cunha
cresceu muito nos últimos dias, como se fosse uma "força de fora para
dentro" e não há como se contrapor a isso. Ainda de acordo com esse
assessor, Cunha está em uma situação muito delicada e sabe que não
poderá ter o apoio de antigos aliados.
Por isso, na reta final do processo de cassação do deputado afastado,
Temer optou por ficar distante das articulações para tentar salvá-lo e
vai assumir os riscos que a perda do mandato do peemedebista podem
significar para o governo --há expectativa de que Cunha, se cassado e
sem direitos políticos, possa tentar uma delação premiada na Operação
Lava Jato, comprometendo correligionários e integrantes do Executivo.
Na avaliação de interlocutores do presidente, o cenário neste momento
é francamente desfavorável ao deputado fluminense. Um desses auxiliares
do Planalto lembra que "a onda" é pela cassação, diante da pressão da
opinião pública. O Placar do Estado mostra que já há número de votos
suficiente para que ele perca o mandato.
Setores do governo, porém, estariam sensíveis a um acordo em torno do
abrandamento da pena do peemedebista. Na quinta-feira (8), a defesa de
Cunha e um deputado aliado entraram no Supremo Tribunal Federal com um
mandado de segurança para que o plenário da Câmara vote, em vez do
parecer pela cassação de Cunha, um projeto de resolução. A peça permite
emendas e, consequentemente, a proposição de uma pena mais branda, como
uma suspensão temporária.
Esforço
Às vésperas da sessão que julgará seu futuro político, Cunha passou os últimos dias no apartamento funcional em Brasília, longe do séquito de aliados. Os antigos apoiadores agora se esforçam cada vez menos na defesa pública do deputado afastado e usam a campanha eleitoral para se distanciar do caso. O peemedebista, por sua vez, tenta convencer seus pares a faltar à sessão ou se abster na votação para evitar a cassação.
Às vésperas da sessão que julgará seu futuro político, Cunha passou os últimos dias no apartamento funcional em Brasília, longe do séquito de aliados. Os antigos apoiadores agora se esforçam cada vez menos na defesa pública do deputado afastado e usam a campanha eleitoral para se distanciar do caso. O peemedebista, por sua vez, tenta convencer seus pares a faltar à sessão ou se abster na votação para evitar a cassação.
Cunha começou a semana passada confiante de que não seria cassado.
Segundo fontes próximas a ele, a percepção do deputado afastado era de
que o governo havia conseguido neutralizar as investigações da Lava Jato
e não tinha interesse em vê-lo perder o mandato. Com a ajuda de líderes
de alguns partidos do chamado Centrão, a estratégia de Cunha era
esvaziar a sessão de cassação e adiar o fim do processo na Câmara.
Levantamentos sobre a intenção de voto dos parlamentares mudaram, no
entanto, essa percepção. Depois de uma carta emotiva aos parlamentares e
mensagens de celular, Cunha passou a telefonar para colegas de Câmara.
De acordo com relatos, ele cobra dos antigos aliados os favores e o
espaço concedidos nos tempos em que era o homem mais poderoso da Casa.
Dos peemedebistas, pede abstenção e, aos partidos do Centrão, sugere
ausência na sessão.
Pressão - Deputados, contudo, afirmam que estão
sendo cobrados em suas bases. "Todo mundo só me pergunta sobre isso. As
pessoas estão acompanhando", afirmou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG),
adversário de Cunha. "Os parlamentares estão julgando, mas estão sendo
julgados também. Estou confiante de que teremos quórum", disse o relator
do processo, deputado Marcos Rogério (DEM-RO).
O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aposta que
haverá um número elevado de parlamentares e já admite abrir a votação a
partir de 400 presentes no plenário --e não 420 como havia estimado
antes.
Para se eximir da responsabilidade sobre possíveis manobras, Maia
marcou a sessão com antecedência, avisou que faltas serão descontadas e
adiantou que deve negar as questões de ordem. Porém, destacou que as
decisões finais serão tomadas pelo plenário. "Nada vai cair nas minhas
costas."
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