Campanha, que segue até 10 de dezembro, faz um alerta sobre atitudes no cotidiano que levam ao desrespeito à mulher
A luta pelo fim da violência contra a mulher deve ser diária e abordada em todos os setores da sociedade. Desde 2003, o Brasil participa da campanha mundial "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher". Neste ano, o tema da campanha "Machismo. Já passou da hora" faz um alerta sobre pequenas atitudes do cotidiano que levam ao desrespeito à mulher. Em Londrina, a campanha foi aberta na manhã deste domingo (20), com solenidade realizada na Concha Acústica. Também foram realizadas ações alusivas ao Dia Nacional da Consciência Negra.
"Em uma sociedade com educação patriarcal, o homem tem o poder e domínio sobre a mulher e nós fazemos um trabalho de formiguinha ao longo dos anos para que haja a igualdade de gênero e não a igualdade ideológica de gênero. Queremos a igualdade entre o homem e a mulher em termos de cultura, de serviço, de emprego, de salário e de posição na sociedade. Já a mulher negra sofre duas formas de preconceito, não só por ser mulher, mas por ser negra", ressalta a secretária de Políticas para Mulheres de Londrina, Sônia Medeiros. "Em seus locais de origem, as pessoas negras eram qualificadas e chegaram aqui na condição de escravos no início da civilização brasileira. Para mudar isso é um processo difícil e é preciso trabalhar com pessoas qualificadas e o coletivo Black Divas está aí para nos ajudar na desconstrução dos paradigmas que estão por aí. São pessoas que são professoras, doutoras e que estão no topo", acrescenta
"As mulheres negras continuam ganhando muito menos que outra mulheres. Não vemos mulheres negras em cargos de presidência das empresas. Em Londrina só temos uma no cargo de diretoria. Se você entra em joalherias caríssimas, você não vê vendedoras negras", afirma a coordenadora do coletivo Black Divas, Sandra Mara Aguilhera. "As Black Divas vêm de encontro ao anseio de Dandara, que era esposa de Zumbi dos Palmares. Queremos as mulheres negras empoderadas com educação, cultura e saúde. Mulheres negras e não negras", destaca.
Segundo o promotor Paulo Tavares, para combater o preconceito o primeiro passo é fazer uma análise interna e pessoal. "Será que estou discriminando a mulher? Será que estou praticando discriminação física ou psicológica? Será que estou discriminando pelo fato de ter religião? Tudo isso passa pelo trabalho pessoal interno. É preciso discutir nos seus ambientes, pessoais e profissionais, o efeito destrutivo que o preconceito causa em todos nós", aponta. Segundo ele, o preconceito não afeta só a população negra, mas a todos. "À medida que a população aumenta, isso afeta o acesso à educação, à saúde. Caso não seja combatida, essas pessoas vão ficar desempregadas e terão subempregos. Queremos uma vida digna para todas as pessoas e o combate contra a discriminação tanto de mulheres quanto contra os negros precisa ser diário", afirma.
A cerimônia de abertura foi uma realização da prefeitura, Coletivo Black Divas, 10ª Subdivisão Policial de Londrina e Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (CMPIR). A campanha segue até o dia 10 de dezembro. A programação pode ser conferida no www.londrina.pr.gov.br/mulher .
Vítor Ogawa Reportagem Local
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