Texto também aumenta de três para seis meses o tempo permitido para trabalho temporário. Matéria segue para sanção presidencial
O projeto que cria regras para a terceirização e muda as normas
para a contratação de trabalho temporário foi aprovado, nesta
quarta-feira, pelo Plenário da Câmara dos Deputados. Foram 232 votos a
favor, 188 contra e 8 abstenções. A proposta tramitava há 19 anos no
Congresso.
O relator, deputado Laercio Oliveira (SD-SE), comemorou:
"A terceirização de serviços é um avanço. É o início da modernização
das relações de trabalho no país. O que fizemos foi consolidar numa lei
tudo o que na prática já existe. Qual é a diferença? É que ela é ampla.
Você pode terceirizar qualquer atividade, isso não quer dizer que tudo
será terceirizado."
Na prática, essa possibilidade de terceirização de qualquer área
permite, por exemplo, que um restaurante terceirize os funcionários da
limpeza e também os da cozinha. Com as regras atuais da Justiça do
trabalho, esse pessoal da cozinha não poderia ser terceirizado porque
atuam na área principal da empresa.
Para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), essa ampliação da terceirização será um retrocesso:
"A CLT foi rasgada por uma maioria que é subserviente ao poder
econômico. O que vai acontecer é que os empregadores preferirão
contratar trabalhadores temporários a fazer o vínculo empregatício."
Durante toda a sessão, PT, PDT, PCdoB, PPS, Psol, Rede e PMB tentaram
barrar a votação. Representantes das centrais sindicais assistiam à
votação das galerias do Plenário. Por algumas vezes, os ânimos se
acirraram e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia ameaçou retirar o
público.
No fim, o texto aprovado ainda permite que a prestadora de serviço
também terceirize, o que é conhecido como quarteirização. O projeto
ainda permite que a empresa prestadora de serviços seja do mesmo ramo
econômico que a contratante, mas deve ter patrimônio mínimo de 10 mil a
250 mil reais, dependendo do número de empregados. A proposta determina
que a contratante seja também responsável pelos direitos trabalhistas,
mas apenas pode ter bens penhorados quando a terceirizada não tiver mais
nenhum patrimônio, é a chamada responsabilidade subsidiaria.
Para a deputada Maria do Rosário (PT-RS) isso não vai garantir que os terceirizados tenham seus direitos respeitados:
"Todos nós conhecemos pessoas que trabalharam em empresas
terceirizadas, que ao final do contrato, fecharam as portas, foram
embora e deixaram os trabalhadores sem as verbas rescisórias e sem os
direitos assegurados."
Já o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) argumenta que a nova lei vai
dar segurança para que empresas contratem trabalhadores, sem medo de
processos judiciais.
"A terceirização não está diminuindo a qualidade do trabalhador. Está
dando alternativa ao emprego de um país, porque nós temos mais de 10
milhões de empregados na área rural trabalhando na informalidade, porque
não há uma lei brasileira que consiga encaixá-los naquele perfil."
O texto permite, ainda, que a contratação de trabalhadores
temporários seja feita por até 9 meses, podendo ser feita, por exemplo,
em caso de greve. As novas regras não vão valer para empresas de
vigilância e transporte de valores. A proposta sobre terceirização e
trabalho temporário vai agora para sanção presidencial.
Reportagem - Ginny Morais
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