Segundo o procurador-geral do Ministério da Fazenda, Leonardo Alvim, o governo já estuda a edição de uma medida provisória para resolver a questão
Recente decisão do Supremo Tribunal Federal considerou
constitucional a cobrança da contribuição dos empregadores rurais,
pessoas físicas, para o Funrural. A cobrança estava suspensa desde 2011
por uma liminar da Justiça Federal. Entidades do setor calculam que a
cobrança retroativa do Funrural pode representar uma dívida de mais de
R$ 10 bilhões aos agricultores.
Em audiência pública conjunta das comissões de Agricultura da Câmara e
do Senado, produtores defenderam a revisão da decisão do STF. Segundo o
presidente da Associação Nacional de Defesa dos Agricultores,
Pecuaristas e Produtores da Terra, Sérgio Pitt, a decisão precisa ser
revista:
"Esse julgamento, entendemos ainda que merece uma revisão, e, por
outro lado, precisamos que esta Casa do Legislativo faça as devidas
correções. Ou nós recolhemos sobre a folha, ou sobre a receita, mas
desde que seja mantida uma equivalência num percentual que tenha uma
equivalência com a contribuição sobre a folha de pagamento."
Parlamentares defendem o parcelamento das dívidas com o Funrural em
até 180 meses com o perdão de juros e multas. O deputado Luiz Carlos
Heinz, do PSDB do Paraná, é um deles:
"Os produtores não são relapsos, não pagaram porque não quiseram
pagar, é que tinham decisões judiciais a seu favor. E hoje o que nós
estamos buscando? Tem projeto meu na Câmara, tem emendas minhas em
medidas provisórias, e agora o Senador Caiado acaba de apresentar um
projeto na linha de uma remissão. Então é isso que nós vamos buscar,
trabalharmos alinhados, Câmara e Senado, com as nossas entidades e
buscarmos a pressão primeiro aqui dentro da Câmara e do Senado, e depois
junto ao Executivo."
Defesa semelhante fez o deputado Sérgio Souza, do PMDB do Paraná:
"Nós vamos estar nas próximas terça e quarta-feiras com o secretário
da Receita, o Rachid, e com o ministro Meirelles, levando a eles uma
proposta do setor agro, que provavelmente ainda na semana que vem, ou o
mais tardar na outra semana, numa grande reunião com o presidente da
República, Michel Temer, juntando aí os parlamentares e representantes
do setor agro, poderemos anunciar uma solução para o setor rural na
questão do Fundo Rural, que provavelmente será uma medida provisória que
venha a acolher a reivindicação do parlamento e dos produtores."
E o governo já estuda a edição de uma medida provisória para resolver
a questão, segundo o procurador-geral do Ministério da Fazenda,
Leonardo Alvim:
"A gente tem de diferenciar a pessoa que já possui depósito judicial
discutindo essa coisa. Essa pessoa não vai fazer repetição de indébito
porque esse depósito judicial fica preso ao processo e é considerado um
pagamento. Existem as pessoas que pagaram o Funrural e existem as
pessoas que ou não pagaram ou que eram beneficiárias de decisões
judiciais que foram revertidas. Para essas duas pessoas é que existe a
preocupação e a inserção de alguma maneira no PRT através da medida
provisória 766 que está sendo negociada politicamente."
O Funrural surgiu na década de 1960 para ajudar a custear a
Previdência Social do trabalhador rural. A taxação corresponde a 2,1% da
receita bruta decorrente daquilo que o produtor pessoa física
comercializa.
A audiência pública das comissões de Agricultura da Câmara e do
Senado sobre o Funrural foi acompanhada por centenas de produtores
rurais, que vieram em caravana dos principais estados produtores do
país.
Reportagem - Aprigio Nogueira, com informações de Marcya Reis
Colaboração - Ana Raquel Macedo
Colaboração - Ana Raquel Macedo
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