Na condição de ministro, Lula passa a ter foro privilegiado, e as ações contra ele serão julgadas no Supremo Tribunal Federal
Após reunião com a presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada, o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitou nesta quarta-feira (16)
ser ministro da Casa Civil, ocupando a vaga de Jaques Wagner no governo.
Na condição de ministro, Lula passa a ter foro privilegiado, e as ações
contra ele serão julgadas no Supremo Tribunal Federal – e não mais pelo
juiz de primeira instância Sérgio Moro.
A nomeação deve ser acompanhada da entrada de uma série de novos nomes
no governo Dilma – uma condição que teria sido imposta pelo próprio
ex-presidente. Uma delas seria a volta de Henrique Meirelles ao Banco
Central, em substituição a Alexandre Tombini.
A entrada de Lula da no atual governo, uma guinada há alguns meses
considerada impensável, pode abrir uma nova fase na atual crise – e é
considerada uma estratégia de elevado risco político tanto para o
ex-presidente como para Dilma.
Lula ajudaria Dilma em dois pontos sensíveis de sua gestão: recuperação
da economia e articulação política para tentar frear o processo de
impeachment, que, como teme o Planalto, pode ser acelerado pelos
protestos. E, isso, sem debilitar ainda mais o poder da atual
presidente.
Antes, havia dúvidas sobre qual pasta o ex-presidente aceitaria – Casa
Civil ou Secretaria de Governo. A primeira lhe daria, em tese, mais
poder, mas inclui também uma grande parte administrativa que Lula não
gostaria de ter que lidar para poder se concentrar no rearranjo político
do governo.
Por várias vezes, o ex-presidente reclamou com aliados sobre a atuação
do Ministério Público na Lava Jato, afirmando que está sofrendo
"perseguição política" e uma campanha de difamação.
Lula foi o principal alvo da 24ª fase da operação, deflagrada no início
deste mês. O ex-presidente foi obrigado a prestar depoimento à Polícia
Federal após mandado de condução coercitiva expedido pelo juiz federal
Sérgio Moro.
Paralelamente à Lava Jato, o Ministério Público de São Paulo pediu na
semana passada a prisão preventiva do ex-presidente no caso envolvendo
um triplex no Guarujá, no qual é acusado de lavagem de dinheiro e
falsidade ideológica.
terra
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