Se o parecer do relator for aprovado, presidente afastado ainda poderá recorrer à CCJ
BEM PARANÁ
O Conselho de Ética da Câmara Federal vota nesta terça-feira (14) o
parecer do relator Marcos Rogério (DEM-RO) que recomenda a perda do
mandato do presidente afastado da Casa, deputado Eduardo Cunha
(PMDB-RJ). A fase de discussão do parecer se encerrou na semana passada.
Só líderes partidários terão direito a se inscrever para discursar
novamente.
A reunião começará com a fala do relator e manifestação da defesa,
cada um tendo direito a 10 minutos. Rogério já adiantou que vai rejeitar
os argumentos do deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), que propôs em
voto separado a alteração da punição de Cunha para três meses de
suspensão.
Se o parecer de Rogério for aprovado, abre-se um prazo de cinco dias
úteis para que o representado recorra à Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ). A CCJ não aprecia o mérito da votação no conselho,
somente eventuais falhas procedimentais. Se os recursos forem julgados
improcedentes, o parecer contra Cunha seguirá para o plenário.
Caso o parecer de Rogério seja derrotado, é designado um novo relator
entre os que votaram contra a proposta de Rogério. Um novo parecer é
votado no colegiado, uma vez que a regra obriga que o Conselho de Ética
tenha algum parecer votado, seja com a punição mais severa, uma pena
mais branda ou o arquivamento da representação.
Tia Eron
Voto de minerva no processo contra Cunha (no Conselho de Ética, a
deputada Tia Eron (PRB-BA) optou pelo isolamento nos últimos dias para
não se expor à pressão. A parlamentar evitou o contato até com colegas
de bancada e, com quem conversou, disse que participará hoje da votação
do parecer que pede a cassação de Cunha, mas não adiantou como votará.
Um dos poucos a conversar com a conselheira no fim de semana foi o
deputado e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno
(PRB-SP). Tia Eron voltou a reclamar da pressão, mas não quis revelar de
quem partiam as ações e disse que se manteria reclusa até a votação. “O
pessoal pega pesado”, resumiu Russomanno.
O pré-candidato fez questão de apontar as consequências políticas do
voto para a carreira da deputada e enfatizou que o parecer do relator
não deixa dúvidas sobre a quebra de decoro parlamentar. “As provas são
robustas”, repetiu Russomanno.
Quem procurou e não obteve retorno de Tia Eron foi o senador Marcelo
Crivella (PRB-RJ), pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro.
Crivella contou que preferiu procurá-la por e-mail e não por telefone
para não pressioná-la ainda mais. “A gente não quer ser justiceiro, mas o
fato é que não há defesa para o caso”, declarou.
O último contato de Crivella com Tia Eron aconteceu há mais de uma
semana, quando a deputada disse ao colega de partido que estava
consciente da situação. “A Eron votará de acordo com a posição dela”,
afirmou à reportagem.
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