O número de bebês nascidos vivos de mães adolescentes se manteve estável nos últimos anos no Paraná. No ano passado, o Estado registrou 160.851 nascidos vivos. Desse total, 27.082 eram filhos de mães na faixa etária de 10 a 19 anos, o que corresponde a 16,8% do total. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
Em geral, a gestação na adolescência é considerada de risco intermediário. Quanto mais jovem é a mãe, maior é a taxa de mortalidade infantil. A coordenadora da Divisão de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente da Sesa, Iolanda Maria Novadzki, alerta que o coeficiente de mortalidade infantil chega a 22,4 bebês para cada mil nascidos vivos quando a gestante tem menos de 14 anos. Dos 15 aos 19 anos, o número de mortes passa a ser de 12 para cada mil nascidos vivos. Em mães acima dos 20 anos, o índice gira em torno de 10 óbitos para cada mil. "A gestante adolescente é direcionada para fazer um pré-natal de risco intermediário para ter maior assistência. O filho de mãe adolescente também é classificado como de risco intermediário pela maior possibilidade de morbimortalidade (doenças e óbitos)", explica. No Paraná, o atendimento especializado é prestado por meio do programa Rede Mãe Paranaense, criado em 2012.
Para a pediatra especialista em Medicina do Adolescente, o ideal é que as equipes de saúde reforcem os trabalhos voltados à contracepção e ao planejamento familiar logo após a maternidade precoce. "Os estudos demonstram que mães adolescentes acabam tendo um segundo filho num intervalo menor que três anos", afirma.
A conscientização é feita também por meio do programa Saúde na Escola, criado em 2007. O projeto promove discussões no ambiente escolar sobre direitos sexuais e reprodutivos, prevenção a gravidez e sobre doenças sexualmente transmissíveis.
"A família também precisa estar presente. É preciso conversar sobre sexualidade de uma forma sadia desde criança para não se perder o vínculo com o adolescente. A falta de diálogo contribui para a gravidez na adolescência", alerta.
Mesmo com o desenvolvimento do projeto, a evasão escolar preocupa. Além das meninas, pais adolescentes deixam as salas de aula em busca de emprego para assumir o sustento do bebê. (V.C.)
FOLHA WEB
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