fabio campana

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), marcou
para 12 de setembro, uma segunda-feira, a sessão em que será analisada a
cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Cobrado, mas temendo se indispor e arcar sozinho com as consequências
políticas que podem gerar a definição, o democrata, à frente da Casa há
menos de um mês, vinha adiando a divulgação de uma data.
Assim que venceu as eleições, Maia afirma que esse é um dos assuntos
prioritários. Em sua primeira semana como presidente, disse que a
votação poderia ocorrer em meados de agosto. Recuou, alegando que só
pautaria o caso após análise de assuntos econômicos de interesse do
governo. Após pressão nessa semana, contudo, foi obrigado a definir. As
informações são da Folha de S. Paulo.
Na segunda (8), o resultado das votações no Conselho de Ética e na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que deram continuidade ao processo, foram lidos no plenário. Desde então, o tema é o primeiro da pauta de plenário, mas não impede que outras votações aconteçam.
Na segunda (8), o resultado das votações no Conselho de Ética e na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que deram continuidade ao processo, foram lidos no plenário. Desde então, o tema é o primeiro da pauta de plenário, mas não impede que outras votações aconteçam.
Deixar para a segunda semana de setembro atende a clamores do Palácio
do Planalto. A avaliação é que, assim, o assunto não interferiria na
intensa cobertura da imprensa do impeachment de Dilma Rousseff.
Governistas acreditam que pautar a cassação de Cunha para agosto,
enquanto o processo para afastar a petista ainda está em curso no
Senado, pode dividir as atenções e, até mesmo, devolver o protagonismo
do noticiário para o ex-presidente da Casa.
Publicamente, a justificativa para a data é a viagem do presidente
interino, Michel Temer, à China, onde participará da reunião do G-20 a
partir de 3 de setembro. Nesse período, Maia, primeiro na sucessão,
assume temporariamente a cadeira de presidente da República.
Isso geraria um outro efeito que desagrada boa parte dos líderes
partidários: o retorno de Waldir Maranhão (PP-MA) para a interinidade do
comando da Casa. Ninguém quer correr o risco de deixar o processo nas
mãos do deputado, que ficou conhecido no período em que esteve na
cadeira por seu comportamento volúvel e constantes mudanças de opinião.
A data é o principal assunto de reuniões de Maia com líderes desde
segunda-feira. Embora tenha, enfim, decidido pelo dia 12, a proximidade
com o primeiro turno das eleições municipais dá forças ao grupo de
Cunha, que usa isso como justificativa para pleitear um prazo mais
adiante e prolongar a sobrevida do peemedebista.
Desde que Cunha renunciou, em 7 de agosto, o que aumentou suas
chances de ser cassado, deputados que se mantém próximos dele trabalham
para que a sessão que vai definir seu futuro não tenha quórum.
Para perder o mandato e, por consequência, os direitos políticos, são
necessários votos de, pelo menos, 257 deputados. Por essa razão,
Rodrigo Maia tem dito que precisa de um quórum mínimo de 400
parlamentares no dia da votação, uma forma de não ser acusado de
beneficiar o peemedebista, ex-aliado.
A demora na definição é benéfica à Cunha, que continua desfrutando
dos privilégios de deputados – salário, residência oficial,
funcionários, cota parlamentar. Mesmo sem exercer suas funções após ser
afastado por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal em 5 de maio, ele
não teve os benefícios suspensos e só o terá caso sua cassação seja
confirmada.
O processo de cassação de Cunha é o mais longo da história da Casa.
Por meio de manobras regimentais e articulações de seus aliados, o
peemedebista ultrapassou, e muito, o prazo regimental de 90 dias para o
julgamento de uma perda de mandato.
O pedido de cassação foi protocolado em outubro. Só em junho o
Conselho de Ética conseguiu, por 11 votos a 9, deliberar o processo. Com
recursos, o ex-presidente da Casa adiou ainda mais a possibilidade de
ir à votação final. Em 14 de julho, a CCJ aprovou, por ampla maioria
–placar ficou em 48 a 12– a continuidade do processo.
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