Número é a média apenas dos casos que chegam até os hospitais da rede pública e particular
bem paraná
Nesta semana uma mulher de 26 anos foi presa pela Divisão de
Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em Curitiba, ao procurar socorro
médico após ter, supostamente, provocado um aborto. Ela estava grávida
de cinco meses e teria tomado comprimidos abortivos proibidos no Brasil.
Como teve complicações, acabou indo parar no hospital.
O caso da jovem não é único e muito menos raro. Desde 2011, a média
de atendimentos pós-aborto no Paraná chega a 9 mil ocorrências por ano,
segundo dados do sistema Datasus, com números encaminhados por
secretarias de saúde municipais e estaduais. O número inclui dados de
atendimentos pós-aborto que ocorrem de forma espontânea, por razões
médicas e as provocadas.
Os números podem estar subnotificados, já que apenas as mulheres que
dão entrada em algum serviço hospitalar acabam nas estatísticas. Logo,
quem pratica um aborto sem motivos médicos, e não procura ajuda médica,
não entra para a relação. Ao mesmo tempo, a estatística não separa o que
é legal do ilegal. O mesmo relatório mostra que no Paraná foram apenas
26 casos de atendimentos pós-aborto por razões médicas.
Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
divulgada em 2015 apontava que quase 13% dos abortos no País seriam
provocados, e a que a maioria das ocorrências foram de abortos
espontâneos. Mas o próprio instituto adiantava que o número de abortos
provocados poderia estar subnotificado.
Entidades que defendem a descriminalização da prática dizem que
seriam cerca de 800 mil abortos clandestinos realizados a cada ano no
País, e que apenas um quarto destes casos chegam ao SUS para tratar as
sequelas de procedimentos malfeitos. O aborto clandestino está entre as
principais causas de morte de mulheres.
Presa
A mulher presa nesta semana em Curitiba descobriu a gravidez na
semana passada, quando passou mal dentro de um ônibus. Ela então teria
comprado comprimidos abortivos. Segundo a polícia, ela teria usado pelo
menos oito comprimidos. Ela passou mal, e acabou levada para o hospital
pelo namorado. Segundo a mulher, ele não sabia da gravidez.
Ela ficou três dias internada, e depois foi levada para a DHPP. Se
condenada, ela pode pegar uma pena de um a três anos de detenção. As
penas para este tipo de crime variam também conforme a situação.
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Atendimentos pós-aborto (espontâneo, médicos e outros) no Paraná
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2011
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2012
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2013
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2014
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2015
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2016
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8.971
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9.180
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9.238
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9.583
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9.446
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8.866
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Atendimentos pós-aborto (espontâneo, médicos e outros) em Curitiba
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2011
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2012
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2013
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2014
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2015
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2016
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2.078
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2.093
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2.066
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2.138
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2.141
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2.026
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