Setor acumulou no ano queda de 8,44% em suas vendas em comparação com 2014
A indústria paranaense fechou 2015 com queda de 8,44% em
suas vendas, registrando a maior queda desde 2003. Foi o segundo ano
consecutivo de retração, o que fez com que o faturamento do setor
industrial do Estado regredisse aos níveis de 2007. O mau desempenho
teve impacto direto também no nível de emprego das indústrias, que caiu
4,92% no ano passado. As informações fazem parte do relatório mensal de
Indicadores Conjunturais da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep),
divulgado na sexta-feira (5).
Para o presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo, os números
refletem o quadro de recessão que o país vem atravessando e mostram a
necessidade de ações efetivas por parte da classe política para a
imediata retomada da atividade econômica. “Enquanto governo e
parlamentares parecem mais interessados em aprofundar uma crise política
que não tem fim, os números reais da economia não param de se
deteriorar, resultando em desemprego e perda de renda para a população”,
afirma.
“O país não pode mais esperar. É preciso que governo e Congresso
Nacional encontrem, de uma vez por todas, uma solução para o imbróglio
político e comecem a discutir medidas efetivas, pensando na recuperação
imediata da atividade econômica e em reformas que garantam
desenvolvimento em longo prazo”, completa.
Causas da queda
De acordo com o relatório da Fiep, três fatores foram os principais
responsáveis pela forte queda das vendas da indústria paranaense em
2015. O primeiro foi o fraco desempenho da economia brasileira como um
todo, que registra seguidas quedas no Produto Interno Bruto (PIB). O
segundo foi a crise na Argentina, que impactou nas exportações de
veículos e alimentos produzidos no Estado. Por fim, houve queda no
consumo interno, causada pela redução do poder de compra da população –
fruto do aumento da inflação, da elevação das taxas de juros, da alta de
preços administrados e do aumento da carga tributária do ICMS
paranaense.
Todo esse cenário fez com que, no ano passado, 15 dos 18 gêneros
pesquisados pela Fiep fechassem com diminuição em seus faturamentos. A
queda atingiu inclusive os três setores com maior peso relativo na
indústria paranaense: ‘Veiculos Automotores’ (-22,42%), ‘Alimentos e
Bebidas’ (-3,18%) e ‘Refino de Petróleo e Produção de Álcool’ (-6,61%).
Juntos, esses três setores contribuíram com 5,14 pontos percentuais dos
8,44% de redução nas vendas registrados em 2015. Por outro lado, apenas
três segmentos tiveram resultados positivos: ‘Máquinas, Aparelhos e
Materiais Elétricos’ (+7,01%), ‘Madeira’ (+5,18%) e ‘Minerais não
Metálicos’ (+0,93%).
Destino das vendas
Em relação ao destino dos produtos paranaenses, a Fiep detectou
quedas nas vendas dentro do próprio Paraná (-9,64%) e também para outros
estados do país (-17,02%). Foi registrado aumento apenas nas vendas
para o exterior. Em 2015, as exportações do setor, impulsionadas pela
desvalorização do Real, cresceram 24,95% em relação a 2014, recuperando
parte do espaço que esse destino havia perdido nos últimos anos.
Com isso, as exportações responderam por 18,87% do total de vendas da
indústria paranaense em 2015 – acima dos 13,87% que representavam em
2014, mas ainda distante dos 25,63% registrados em 2008.
Nível de Emprego
A retração nas vendas teve impacto direto no nível de emprego da
indústria paranaense. No acumulado de 2015 em relação a 2014, apenas
quatro dos 18 gêneros pesquisados pela Fiep tiveram resultados positivos
nesse quesito. No geral, o nível de emprego total no setor industrial
do Estado caiu 4,92%. Já o emprego diretamente ligado à produção caiu
2,22% no ano. Os setores com maiores reduções foram ‘Refino de Petróleo e
Produção de Álcool’ (-16,01%), ‘Veículos Automotores’ (-11,83%) e
‘Metalúrgica Básica’ (-10,83%).
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