A agência de classificação de risco foi a primeira a tirar o grau de investimento do País em setembro do ano passado
Marcelo Osakabe - O Estado de S.Paulo

A S&P foi a primeira agência a tirar o grau de investimento do Brasil
SÃO PAULO - Cinco meses após tirar o grau de investimento do Brasil,
decisão que foi seguida pelos seus principais pares, a agência Standard
& Poor’s rebaixou novamente a nota de crédito do Brasil. O rating
passou de BB+ para BB e, mesmo assim, a perspectiva permanece negativa -
o que pode indicar novos rebaixamentos.
Em nota, a agência de classificação de risco afirmou que os
desafios políticos e econômicos enfrentados pelo Brasil continuam
consideráveis e que a S&P agora espera um processo mais longo de
ajuste, o que significa uma correção mais lenta na política fiscal e
mais um ano de forte contração econômica.
"Com o déficit do governo e a dívida líquida, respectivamente,
em cerca de 7% e 60% do Produto Interno Bruto (PIB) durante o período
entre 2016 e 2018 (...) acreditamos que não há mais flexibilidade
política suficiente para distinguirmos entre os ratings em moeda local e
estrangeira no Brasil", disse, em nota, a S&P.
Segundo a agência, a perspectiva negativa reflete uma chance
maior do que 1 em 3 de um novo rebaixamento do rating brasileiro. A
S&P cita como fatores negativos o risco de reversão de políticas
importantes em meio à dinâmica da política brasileira, a falta de
iniciativas políticas consistentes e também a possibilidade de uma
contração econômica maior do que a esperada.
A perspectiva da nota do Brasil pode ser revisada para estável
"se as incertezas políticas no Brasil forem revertidas para que a
execução da política seja consistente e melhore as perspectivas para o
crescimento do PIB", afirmou a S&P. "Esperamos que estas melhorias
possam apoiar um retomada mais rápida que leve o Brasil a sair da atual
recessão, o que facilitaria a performance fiscal e daria mais espaço de
manobra em meio a choques econômicos".
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