Folhapress
DÉBORA ÁLVARES E GUSTAVO URIBE BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A votação
da cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no plenário da Câmara ficará só
para agosto, após o chamado recesso branco dos parlamentares, previsto
para a segunda quinzena de julho. A decisão foi comunicada a deputados
pelo presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), a quem cabe
marcar as sessões deliberativas.
Segundo esses parlamentares, o pepista avalia que a votação do
processo no meio do recesso branco [não são férias oficiais, mas os
parlamentares tendem a não ir a Brasília] pode ser arriscado, já que uma
sessão esvaziada livraria Cunha. Para ter o mandato cassado, são
necessários os votos de, pelo menos, 257 dos 513 deputados. Maranhão,
porém, já recuou várias vezes de decisões que havia tomado. A base do
presidente interino, Michel Temer (PMDB), irá pressionar o deputado do
PP a adiar o recesso branco para setembro sob o argumento de que o país
precisa votar temas importantes para o país. Se essa tese prevalecer, o
caso de Cunha pode ir ao plenário na segunda quinzena deste mês.
RITO
O plenário é a última instância do processo contra Cunha. Neste
momento, ele ainda está na penúltima fase, na Comissão de Constituição e
Justiça, que analisa um recurso em que Cunha pede a anulação do
processo por supostos vícios. Nesta terça-feira (5), o relator, Ronaldo
Fonseca (Pros-DF), que é aliado de Cunha, vai entregar seu parecer sobre
o recurso. Dos 16 pontos questionados pelo peemedebista, ele deve
acatar pelo menos três. O de suspeição do relator no Conselho de Ética,
Marcos Rogério (DEM-RR), por ter ingressado em uma legenda que apoiou a
eleição de Cunha para o comando da Câmara, o método usado para votação
no colegiado e a não notificação do peemedebista para todas as reuniões.
Adversários de Cunha já preparam os chamados votos em separados a
esse relatório. Um deles será apresentado justamente por Rogério. "Eu,
como conhecedor do processo e do recurso, não posso deixar de me
manifestar, até para que os demais deputados tenham argumentos para se
posicionarem", disse Rogério. A votação na CCJ está marcada para a
próxima terça-feira (12), mas pode ser protelada por ação da tropa de
choque de Cunha. A tendência é a de que o colegiado rejeite o recurso do
peemedebista, apesar do relatório favorável a ele.
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