Presidente enviou por escrito a perguntas feitas por advogados de Cunha.
Ele foi arrolado como testemunha, pela defesa do ex-deputado cassado.
O
presidente Michel Temer durante reunião com líderes no Palácio do
Planalto, em Brasília - 05/12/2016 (Foto: Adriano Machado/Reuters)
O presidente Michel Temer (PMDB) disse desconhecer a atuação do
ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em indicações de nomes para
ocuparem cargos na Petrobras. Temer enviou por escrito ao juiz Sérgio
Moro, nesta sexta-feira (9), as respostas às perguntas feitas pela
defesa de Cunha.
Os advogados de Eduardo Cunha arrolaram o presidente como testemunha,
no processo criminal que o ex-deputado federal responde, derivado da
Operação Lava Jato.
Além de Temer, a defesa de Cunha também chamou outros políticos, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente da Câmara dos deputados, Henrique Eduardo Alves.
Além de Temer, a defesa de Cunha também chamou outros políticos, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente da Câmara dos deputados, Henrique Eduardo Alves.
Temer respondeu a 20 perguntas. Em todas, ele se resumiu as respostas a
frases curtas. A única exceção foi quando ele afirmou ter conhecido o
ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró e o
pecuarista José Carlos Bumlai, ambos já condenados na Operação Lava
Jato.
Segundo o presidente, ele foi procurado por Bumlai e Cerveró na época
em que presidia o PMDB e ainda exercia mandato como deputado federal.
"Sim. Como era presidente do Partido, fui procurado pelo Sr. José Carlos
Bumlai para tratar dessa questão", disse Temer.
A intenção da defesa de Cunha ao fazer esses questionamentos é tentar
mostrar que o ex-deputado não teria atuado para a indicação do
ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada. Segundo o MPF, foi Zelada quem
intermediou um contrato entre a Petrobras e uma empresa de Benin, na
África, que teria gerado uma quantia de propina repassada a políticos. O
MPF defende que Cunha foi um dos beneficiários da quantia ilegal,
devido à suposta indicação.
Temer também foi questionado sobre a atuação da bancada mineira do PMDB
na indicação de Zelada. Antes de Zelada assumir, o nome de João Augusto
Henriques foi cogitado para o cargo, mas o Planalto vetou. À época, o
ex-deputado Fernando Diniz, já morto, comandava o grupo peemedebista
mineiro. Segundo o Temer, coube a Diniz indicar Zelada.
O presidente também foi questionado sobre uma suposta reunião ocorrida
em 2007. Naquela época, a bancada governista da Câmara dos Deputados
travou a votação para prorrogar a CPMF. Eles protestavam contra a demora
do governo em nomear as pessoas que haviam sido indicadas para cargos
comissionados.
Temer negou que a reunião tenha acontecido. Também disse que não soube
de qualquer desconforto na Câmara devido à demora do governo Lula. No
entanto, ele não respondeu se tinha conhecimento do protesto dos
deputados da época.
Respostas por escrito
Ao ser arrolado como testemunha, Temer decidiu invocar o art. 221 do Código de Processo Penal. Segundo esse trecho da lei, autoridades que cumpram mandatos, como o presidente, ministros, entre outros, não precisam comparecer às audiências de um processo. Eles podem responder às perguntas que lhes forem dirigidas por escrito.
Ao ser arrolado como testemunha, Temer decidiu invocar o art. 221 do Código de Processo Penal. Segundo esse trecho da lei, autoridades que cumpram mandatos, como o presidente, ministros, entre outros, não precisam comparecer às audiências de um processo. Eles podem responder às perguntas que lhes forem dirigidas por escrito.
Fase final
A última audiência do processo que envolve o deputado Eduardo Cunha está marcada para o dia 14 de dezembro. Nesse dia, será ouvido o advogado José Tadeu de Chiara. Ele será a última testemunha a ser ouvida pelo juiz Sérgio Moro. Depois, o réu será interrogado.
A última audiência do processo que envolve o deputado Eduardo Cunha está marcada para o dia 14 de dezembro. Nesse dia, será ouvido o advogado José Tadeu de Chiara. Ele será a última testemunha a ser ouvida pelo juiz Sérgio Moro. Depois, o réu será interrogado.
A partir desse ponto, o processo chega à fase final, quando o juiz
abrirá prazos para que o MPF e as defesas dos réus apresentem as
alegações finais. Em seguida, o processo ficará pronto para que seja
decretada uma sentença, que poderá absolver ou condenar os réus.
Esfera civil
Na Justiça Federal do Paraná, Cunha responde também a uma ação civil de improbidade administrativa, movida no âmbito da Operação Lava Jato, que alega a formulação de um esquema entre os réus visando o recebimento de vantagem ilícita proveniente de contratos da Petrobras. A ação corre na 6ª Vara Cível.
Na Justiça Federal do Paraná, Cunha responde também a uma ação civil de improbidade administrativa, movida no âmbito da Operação Lava Jato, que alega a formulação de um esquema entre os réus visando o recebimento de vantagem ilícita proveniente de contratos da Petrobras. A ação corre na 6ª Vara Cível.
Além de Cunha, são requeridos na ação civil a mulher dele, Claudia
Cruz, o ex-diretor da estatal Jorge Luiz Zelada, o operador João
Henriques e o empresário Idalécio Oliveira.
A prisão
No despacho em que determinou a prisão, o juiz Sérgio Moro disse que o poder de Cunha para obstruir a Lava Jato "não se esvaziou".
No despacho em que determinou a prisão, o juiz Sérgio Moro disse que o poder de Cunha para obstruir a Lava Jato "não se esvaziou".
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), em liberdade, Cunha representa risco à instrução do processo e à ordem pública.
Além disso, os procuradores argumentaram que "há possibilidade concreta
de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior" e
da dupla cidadania.
Cunha tem passaporte italiano e teria, segundo o MPF, patrimônio oculto
de cerca de US$ 13 milhões que podem estar em contas no exterior.
Moro é responsável pelas ações da operação Lava Jato na 1ª instância.
Após Cunha perder o foro privilegiado com a cassação do mandato,
ocorrida em setembro, o juiz retomou no dia 13 de outubro o processo que corria no Supremo Tribunal Federal (STF).
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