- Folha de Boa Vista
18.out.2016
- Policiais saem da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa
Vista, um dia após uma rebelião que teria sido provocada pela disputa
entre facções criminosas rivais
Rio - No
Estado do Rio, os presídios se encontram em estado de atenção desde
outubro do ano passado, segundo agentes penitenciários. Foi quando se
identificou a ruptura entre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) em outras penitenciárias do País.
Os agentes alertam que as más condições nas cadeias, que sofrem com a
deterioração da qualidade da comida, em decorrência da crise financeira
do governo estadual, e o forte calor do verão são fatores que acirram os
ânimos dos detentos e causam preocupação.
O embate entre
integrantes das facções na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em
Boa Vista (RR), e na penitenciária Ênio dos Santos Pinheiro, em Porto
Velho (RO), entre os dias 16 e 17 de outubro de 2016, além de outros
indicativos da rixa entre os criminosos, acendeu o alerta.
Nos dois conflitos, 18 presos foram mortos. O de Porto Velho começou horas depois do registrado em Boa Vista. As autoridades concluíram que o acordo que havia entre as duas facções de coexistência pacífica foi suspenso, daí os confrontos.
Nos dois conflitos, 18 presos foram mortos. O de Porto Velho começou horas depois do registrado em Boa Vista. As autoridades concluíram que o acordo que havia entre as duas facções de coexistência pacífica foi suspenso, daí os confrontos.
Oficialmente, a Secretaria de
Administração Penitenciária (Seap) do Rio informa que a rotina nas 50
unidades prisionais fluminenses está normal. "Não foram registradas
rebeliões em unidades prisionais do Rio. Para garantir a segurança,
todas contam com procedimentos de revista com o auxílio de equipamentos
de segurança", divulgou a Seap.
Segundo os números passados pelo
órgão, há 85% de excedente de presos: a população carcerária atual é de
50.555 internos, sendo que as vagas somam 27.242. Há 23.313 presos
aguardando julgamento. No caso do Complexo Penitenciário Anísio Jobim,
em Manaus, onde 60 presos morreram na rebelião do último domingo, dia
1º, a superlotação era um dos problemas. O complexo tinha capacidade
para 590 detentos e comportava 1.800.
"O racha entre o PCC e o
CV causa muita instabilidade. Mas o Estado do Rio tem excelência na
percepção e mediação de conflitos e tem por hábito estar atento ao que
acontece no País", disse o presidente do Sindicato dos Servidores do
Sistema Penitenciário, Gutemberg de Oliveira.
"Nossa maior preocupação é a lotação e elementos potencializadores, como a comida, o calor e a falta de celeridade da Justiça em relação aos benefícios a que os presos têm direito e à marcação de audiências".
"Nossa maior preocupação é a lotação e elementos potencializadores, como a comida, o calor e a falta de celeridade da Justiça em relação aos benefícios a que os presos têm direito e à marcação de audiências".
A dívida do
Rio com as empresas fornecedoras de alimentos aos presos somava no fim
de 2016 R$ 200 milhões. Segundo a Seap, o governo está se empenhando
para honrar os pagamentos dos atrasados, e o cardápio segue variado,
"arroz ou macarrão, feijão, farinha, carne branca ou vermelha (carne,
peixe, frango), legumes, salada, sobremesa e refresco", além do café da
manhã e o lanche.
Outro problema apontado pelos servidores é o
déficit de pessoal. "Existem 6 mil servidores, mas só 1.500 na atividade
fim, divididos em quatro turnos de plantão. Deveriam ser, no mínimo, 4
mil. Tem muita gente no ar condicionado, em desvio de função. O sistema
está em estado de atenção há um bom tempo", afirmou o agente Paulo
Ferreira, ex-presidente do sindicato.
De acordo com a categoria,
o alerta se justifica ainda que não tenham sido detectadas
movimentações atípicas, como o pedido de transferência para celas
separadas, o chamado "seguro", o que acontece quando os presos são
ameaçados e é identificado risco iminente de vida.
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