LARA STAHLBERG E DIOGO BERCITO LONDRES, REINO UNIDO, E MADRI, ESPANHA
(FOLHAPRESS) - Um homem matou ao menos quatro pessoas e feriu outras 40
após um ataque nos arredores do Parlamento britânico, em Londres, nesta
quarta-feira (22). A ação é tratada pelas autoridades como um ato
terrorista. O terrorista foi morto pela polícia.
De acordo com as autoridades, o suspeito avançou com o carro, um
Hyundai i40 (vendido no Brasil como New Tucson), na direção de pedestres
na ponte de Westminster, na parte de trás da sede do Parlamento, antes
de bater em uma grade do prédio. O terrorista saiu do carro e esfaqueou o
policial Keith Palmer, 48, na entrada do Parlamento antes de ser morto
por outros agentes. O agente esfaqueado e outros três civis morreram,
informou a polícia de Londres.
Orientada pelas forças de segurança, a Câmara dos Comuns encerrou
suas atividades. Legisladores e jornalistas foram mantidos no prédio por
cerca de cinco horas até serem liberados pela polícia. "Eu ouvi gritos e
depois uma explosão. Agora sabemos que era o carro invadindo o portão
do palácio. Depois disso, um homem pulou a cerca com o que pareciam ser
facas. Em seguida, ouvimos uma série de tiros", afirmou o assessor
parlamentar Marcos Gold.
Quarta-feira é o dia da tradicional sessão em que o primeiro-ministro
responde a questionamentos dos membros do Parlamento na Câmara dos
Comuns. May havia falado no final da manhã, e foi retirada do prédio do
Legislativo logo depois do ataque por oito agentes armados. Em seguida,
convocou reunião do comitê de segurança do governo.
Em pronunciamento à imprensa na noite desta quarta, May condenou o
ataque, que chamou de "doentio e imoral". "Nós nunca iremos ceder ao
terror", disse a primeira-ministra. "Não foi por acaso que o agressor
escolheu o Parlamento, que simboliza a democracia, a liberdade e a lei."
No final da noite e pela madrugada, moradores de Londres depositavam
flores na grade do Parlamento. Prédios de Tel Aviv, em Israel, e das
britânicas Birmingham e Manchester exibiram bandeiras britânicas em
sinal de luto, enquanto a torre Eiffel foi apagada à 0h em Paris (20h em
Brasília).
FERIDOS
Dentre os feridos, há três estudantes de ensino médio franceses, dois
romenos e cinco sul-coreanos. Autoridades britânicas informaram que uma
mulher com ferimentos graves foi retirada do rio Tâmisa após o ataque
na ponte de Westminster. Testemunhas afirmam que um grande número de
policiais armados chegaram ao Parlamento, alguns deles carregando
escudos.
Imagens da ponte um ponto em que turistas se aglomeram para
fotografar a icônica torre do Big Ben mostravam diversas pessoas no
chão recebendo socorro. Todos os acessos ao metrô nos arredores do
Parlamento e da ponte foram fechados. Em sinal de respeito, o Parlamento
da Escócia informou que também suspendeu sua sessão.
A Polícia Metropolitana de Londres disse que foi acionada às 14h40
locais (11h40 de Brasília) devido à uma ocorrência com armas de fogo no
Parlamento. A polícia pediu a testemunhas que repassem imagens às
autoridades caso tenham fotografado ou filmado a ação. Foi pedido "bom
senso", por outro lado, no compartilhamento nas redes sociais.
REAÇÕES
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu "total
cooperação e apoio" ao Reino Unido. O secretário de Estado americano,
Rex Tillerson, condenou o ataque. "Nós condenamos esses terríveis atos
de violência, e se eles foram realizados por indivíduos perturbados ou
por terroristas, as vítimas não sabem a diferença."
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou estar "profundamente
chocada" pelo ataque. "Ainda que o contexto desses ataques precisem ser
esclarecidos, gostaria de enfatizar em nome da Alemanha e de seus
cidadãos: nós nos posicionamos resolutamente ao lado do Reino Unido na
luta contra qualquer forma de terrorismo", disse Merkel.
"O terrorismo afeta a todos nós e a França sabe o que o povo
britânico está sofrendo hoje", declarou o presidente francês, François
Hollande. "A Europa se posiciona firmemente com o Reino Unido contra o
terror e está pronta a ajudar", disse o presidente do Conselho Europeu,
Donald Tusk.
Em nota, o Itamaraty também condenou o ataque e afirmou que não há
registro de brasileiros entre as vítimas. A rainha Elizabeth 2ª adiou
uma visita que faria nesta quinta-feira (23) à Scotland Yard, informou
um porta-voz do Palácio de Buckingham na noite desta quarta.
O presidente Michel Temer enviou carta à premiê britânica, Theresa
May, prestando solidariedade aos britânicos e às vítimas e seus
familiares. "O Brasil associa-se ao Reino Unido e a todos os que
compartilham a convicção na força da democracia e repudiam qualquer
forma de extremismo violento", afirmou.
BRUXELAS
Os ataques coincidem com o aniversário de um ano dos atentados a
Bruxelas, que deixaram 32 mortos em 2016. O Reino Unido foi alvo de
ataques em maio de 2013, quando dois homens esfaquearam o soldado Lee
Rigby em uma rua no sudeste da capital. Em julho de 2005, quatro
terroristas mataram 52 pessoas em atentados suicidas no sistema de
transporte, o pior ataque sofrido por Londres em tempos de paz.
O prefeito de Londres, Sadiq Khan, exaltou a "bravura" dos policiais e
trabalhadores dos serviços de emergência que atuaram nesta
quarta-feira. "Uma grande investigação está em curso", disse Khan. Ele
ainda pediu aos moradores da cidade que não se rendam. "Londres é a
melhor cidade do mundo e nós ficaremos juntos contra aqueles que buscam
nos ferir e destruir nosso estilo de vida. Os londrinos nunca vão se
acovardar pelo terrorismo."
Em uma rede social, o Parlamento informou que a Câmara dos Comuns e a
Câmara dos Lordes realizarão normalmente suas sessões nesta
quinta-feira (23). A imprensa britânica saudou como herói o deputado
conservador Tobias Ellwood, funcionário do Ministério das Relações
Exteriores, que ajudou a socorrer o oficial Palmer. Ex-soldado, Ellwood
fez respiração boca a boca em uma tentativa de ressuscitar o agente.
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