segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O Paraná envelhece rapidamente


População de idosos no Estado deve dobrar até 2030, dados do IBGE e do Ipardes mostram Norte mais envelhecido em relação ao Centro-Sul e Região Metropolitana


Fotos:Marcos Zanutto
Fotos:Marcos Zanutto
No jardim de Floraí, o encontro de duas gerações: no Noroeste do Estado são 43 idosos para cada 100 jovens; segundo o IBGE, em 2030 o Paraná terá 2,5 milhões de idosos, o que representará 20,91% da população


Floraí - As vagas especiais de estacionamento, o caixa preferencial e a meia-entrada são alguns dos direitos assegurados à terceira idade nas últimas décadas pelo Estatuto do Idoso. Porém, as necessidades desta população vão muito além disso. Com o aumento da expectativa de vida e a diminuição da taxa de fecundidade, o País envelhece rapidamente, o que torna o planejamento das políticas públicas um grande desafio.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos no País mais que dobrou entre os censos de 2000 e 2010, passando de 15,5 milhões para 23,5 milhões, alta de 9% para 12,1% da população brasileira. Segundo projeções do IBGE, até 2020, a população de idosos chegará a 32 milhões, cerca de 15% da população total, o que fará do Brasil o detentor da 6ª maior população idosa do mundo.
O Paraná segue o padrão acelerado de envelhecimento populacional. O último censo do IBGE (2010) indica que o Estado tinha 1.316.554 de habitantes com mais de 60 anos, representando 11,2% da população paranaense. Para 2030, o instituto calcula que o Estado praticamente deverá dobrar este número, chegando aos 2,5 milhões de idosos, o que representará 20,91% da população.
De acordo com dados do IBGE, o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) calculou as taxas de idosos nos municípios paranaenses. A metodologia leva em conta o número de idosos para cada 100 jovens com menos de 15 anos. O mapa mostra um Paraná dividido, com as faces Norte e Oeste mais envelhecidas em relação ao Sul e Leste do Estado. O Noroeste tem a maior taxa de idosos, com 43 idosos para cada 100 jovens.
As regiões do Norte Pioneiro, Norte Central e Centro-Oeste aparecem com a relação de 41 a 42 pessoas com mais de 65 anos para cada 100 jovens. A Região Metropolitana de Curitiba aparece com a relação de 28,26. Já o Centro-Sul é considerada a região mais jovem, com 24,18 idosos para cada centena de jovens. Para o pesquisador do Ipardes, Paulo Roberto Delgado, o principal fator que pode explicar as diferenças de índices de idosos dentro do Estado é o caráter migratório.
"As regiões que compõem o Norte do Estado perderam muita população nas últimas décadas. Ao se levar em conta que essa migração é composta, principalmente, por jovens, que buscam melhores condições pelo emprego ou estudo, temos essa diferença no mapa", analisa Delgado. O pesquisador ressalta ainda que a tendência é que a discrepância continue com a formação de novas famílias. "Esses jovens vão casar e ter filhos. Isso vai tornar a população daquele lugar ainda mais jovem, enquanto o lugar de onde ele veio vai continuar com os pais, os avós", observa.
Os dados mostram uma característica em comum entre os municípios mais envelhecidos. Entre as 50 maiores taxas de idosos no Estado, apenas um município tem mais de 20 mil habitantes e 80% têm menos de 10 mil. Floraí (Noroeste) tem a maior taxa. Com população de pouco mais de 5 mil habitantes, para cada 100 jovens existem 80 idosos. Na sequência aparecem Kaloré, no Vale do Ivaí, (78,83); Formosa do Oeste (75,56) e Doutor Camargo, no Noroeste (72,89).
Entre as maiores cidades, Maringá é considerada a mais velha, com a relação de 43,50. Londrina apresenta dados parecidos, com 41,79 idosos para cada 100 jovens. Na capital, a relação é de 37,80, enquanto em Foz do Iguaçu, a mais jovem entre as principais cidades, são apenas 19,83 idosos para 100 jovens.
Tunas do Paraná e Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, apresentam as menores taxas de idosos do Estado, 12,63 e 13,31, respectivamente. Em Reserva do Iguaçu, no Centro-Sul, são 13,74 idosos para cada centena de jovens. "A Região Metropolitana de Curitiba atrai muitos jovens por ser uma área em expansão, com muitos empregos. Já no Centro-Sul, o que pode explicar esses dados é a criação de muitos assentamentos rurais", argumenta Delgado.
Celso Felizardo
folha web

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