O prefeito de Cristalina manda desobstruir estrada paralela à BR-040 para que moradores do município não tenham que desembolsar R$ 4,80 toda que vez que passam pelo local. População era isenta da taxa, mas a liminar que garantia o direito foi derrubada
Estrada é 'atalho' para que moradores de Cristalina não paguem pedágio (Foto: Cristiano Borges/O Popular
A
praça de pedágio de Cristalina, instalada na BR-040, provocou um
impasse entre a prefeitura do município e a concessionária responsável
por administrar a rodovia. Na última semana, a administração municipal
desobstruiu uma estrada, de terra batida, paralela ao ponto de coleta. A
justificativa seria a reclamação dos moradores que estão pagando a taxa
de R$ 4,80 para transitar no local. Por sua vez, os responsáveis pelo
posto querem a interrupção do desvio.
De
acordo com o prefeito de Cristalina, Daniel Sabino (PSB), a iniciativa
responde a um apelo da população local, que se sente penalizada com o
pagamento da tarifa. “Há pessoas que passam mais de cinco vezes por dia
no local. Os moradores estão sendo prejudicados e precisamos tomar
alguma atitude. Fiz o que pude e entrei com a ação de reabrir a
estrada”, afirma. Sabino ainda ressalta que tentou realizar um acordo
com a concessionária, no entanto, ele foi negado.
A
Via 040, concessionária responsável pela praça de pedágio, afirmou, por
meio de nota, que as cobranças do pedágio estão sendo feitas de acordo
com os preceitos legais e regulatórios e o fechamento das vias está em
absoluta consonância com o que determina o Programa de Exploração da
Rodovia (PER). A empresa ressaltou que entre as obrigações contratuais
está o fechamento de acessos irregulares na faixa de domínio da rodovia.
Está previsto que os responsáveis podem interferir em rotas de até 80
metros de distância, 40 metros para cada lado da rodovia, partindo do
eixo central. Isso inclui a estrada de terra que está sendo utilizada
pelos moradores.
O impacto da cobrança do
pedágio afeta tanto os moradores quanto os produtores rurais da região.
Segundo o gestor de processos da Cooperativa Agrícola Serra dos Cristais
(Coacris), Uwe Winking, a reclamação é grande por parte dos
transportadores. “Com certeza, estamos sendo prejudicados. Esse tipo de
pedágio começa a afetar até mesmo o preço do transporte”, aponta. Ele
também reclama da localização do posto instalado pela concessionária. “O
serviço deveria ser realizado em pontos mais afastados da cidade — o
que não ocorre por aqui”, lamenta.
De acordo
com Winking, a estrada paralela à praça não pode ser usada pelos
transportadores. “Os caminhões levam carregamentos pesados e não podem
se arriscar a atravessar uma estrada que não seja a BR. Essa medida
realizada pela prefeitura se torna ineficiente aos outros veículos”,
relata. O gestor também ressalta que os preços do frete sofreram
alterações desde que a medida teve início.
Memória
O
pedágio começou a ser cobrado na BR-040 em julho de 2015. A medida
causa polêmica desde então. Várias manifestações por parte dos moradores
ocorreram no local. Por decisão da Justiça, no ano em que se iniciou a
cobrança, em agosto, a tarifa deixou de ser obrigatória para veículos
com a placa do município. No entanto, a liminar foi suspensa em março de
2016 e o pedágio voltou a valer para todos.
Em
julho do ano passado, a tarifa sofreu um aumento. O valor do pedágio
para automóveis, caminhões e furgões passou de R$ 4,60 para R$ 4,80 —
preço atual. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)
definiu a Via 040 como responsável pela concessão das praças de pedágio
da BR-040 durante leilão realizado em 2013.
correio braziliense
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