quinta-feira, 8 de junho de 2017

Relator do julgamento Dilma/Temer defende delações como prova

Ministro rejeita pedido para excluir depoimentos da Odebrecht e marqueteiros
 
bem paraná
Benjamim, ontem, no TSE: decisão ficou para hoje (foto: José Cruz/AgênciaBrasil)
No segundo dia do julgamento que pode levar à cassação do mandato do presidente Michel Temer e à inelegibilidade da ex-presidente Dilma Rousseff, nesta quarta-feira (7), o relator do processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Herman Benjamim, negou o pedido da defesa para desconsiderar o conteúdo das delações da Odebrecht e do casal João Santana e Mônica Moura. A sessão, porém, foi encerrada no início da tarde, sem que os demais ministros se posicionassem sobre a questão, que deve ser retomada nesta quinta-feira (8).  
O dia foi ocupado principalmente pela manifestação do relator sobre três questões preliminares interpostas pelas defesas de Dilma e Temer, contestando a validade dos depoimentos de executivos da Odebrecht ao TSE. Herman argumentou que a Odebrecht é citada “mais de uma vez” na petição inicial apresentada pelo PSDB após as eleições de 2014. Para ele, “não houve invenção do relator no que tange propina na Petrobrás ou propina ofertada por empreiteiras”.
“A petição inicial descreveu o que estava ocorrendo com a Petrobrás, indicou quem estava se beneficiando, as empresas. Entre essas empresas apontou a Odebrecht, e finalmente pediu cópia integral dos autos da Lava Jato”, defendeu o relator.
Cenário - O relator também afirmou que “qualquer brasileiro minimamente informado, que acompanhou o cenário político nas últimas décadas” sabe que Odebrecht tem uma estreita relação com os governos, e não só a partir de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Presidência.
Sobre o marqueteiro João Santana e sua mulher Mônica Moura, Herman afirmou que decidiu ouvi-los como um “desdobramento dos depoimentos dos executivos da Odebrecht”, já que os dois teriam recebido dinheiro da empreiteira durante a campanha de 2014.
Provocação
Em mais uma troca de provocação com o presidente do TSE, Gilmar Mendes, Herman fez questão de ler trechos de um agravo apresentado pelo colega no processo, onde ele defendeu que fatos que não estavam no pedido inicial poderiam fazer parte do processo e que a prova dos fatos se daria na próprio instrução regular. O relator afirmou, por exemplo, que Gilmar avalizou o depoimento do ex-diretor da Petrobrás, Pedro Barusco, que não estava inicialmente arrolado entre as testemunhas. Ele lembra que o delator teria dito que o PT recebeu entre US$ 150 milhões a US$ 200 milhões entre 2003 e 2013.
O presidente do TSE justificou a sua manifestação dizendo que no pedido inicial se falava em desvios na Petrobrás.
Temer
O presidente Michel Temer (PMDB) admitiu na quarta-feira ter usado um avião de propriedade do dono do grupo JBS, Joesley Batista, para uma viagem com a família para Comandatuba em janeiro de 2011. O peemedebista alegou que “não sabia a quem pertencia a aeronave e não fez pagamento pelo serviço”. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou uma nota na qual retificou uma informação dada na terça-feira, de que o então vice-presidente havia usado aviões da Força Aérea Brasileira para a viagem. O dono da JBS, Joesley Batista, entregou à Procuradoria-Geral da República um diário de voo de seu jatinho com informações sobre viagens de Temer.

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