CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Durante toda a
manhã, o movimento no entorno da sede da Superintendência da Polícia
Federal foi tranquilo. Até às 12h, cerca de dez ônibus com manifestantes
pró-Lula se juntaram aos que já acamparam no local durante a noite. A
expectativa é de que ao menos 40 ônibus com manifestantes venham a
Curitiba integrar o movimento.
No acampamento, apelidado de "Lula
Livre", as tarefas de cozinha, limpeza e segurança, por exemplo, são
divididas entre os manifestantes, definidos por assembleia. Por volta
das 10h, em reunião, os coordenadores do movimento declararam que devem
manter o acampamento de forma permanente até que o ex-presidente seja
solto.
"Se o Lula ficar 11 anos aqui (na PF), eu virei todos os
dias. Ele é meu ídolo. Abaixo do céu, ele é meu Deus, e é inocente",
declarou a aposentada Angela Maria Pereira de Oliveira, de Curitiba, que
chegou por volta das 8h ao acampamento.
As professoras Marcia
Lima e Vanda Santana integram o movimento desde a manhã de ontem. "O
presidente Lula é o melhor que já tivemos, governa para os trabalhadores
e necessitados", declarou Marcia.
Elas fazem parte de uma das
coordenações do acampamento, arrecadando mantimentos. "Cada um foi se
organizando com barracas e colchões. Quem ficar aqui vai ter uma
experiência única, é um acampamento político e pedagógico", conta Vanda.
MORADORES APREENSIVOS
Do
outro lado, os vizinhos do acampamento estão apreensivos. Cerca de
quatro quadras no entorno da PF já estão tomadas por manifestantes,
carregando materiais dos diversos tipos, como suprimentos e colchões.
"Temos
receio porque não é uma situação normal, não sabemos o que o pessoal é
capaz de fazer, bagunça, invasão", disse o motorista Sérgio Moises Alves
de Souza.
"Eles bloquearam acesso à rua, sendo que deveria caber à
PF fazer isso. Já falamos com a polícia e só falaram que iam tentar
conseguir mais uma viatura", conta o aposentado Ataide da Silveira
Júnior.
Os coordenadores do movimento, no entanto, prometem
convivência pacífica com os vizinhos, respeitando os horários de
silêncio e o acesso aos moradores.
"Só vamos usar o som e fazer falas em caso de necessidade, para organizar", declarou Regina Cruz, da CUT.
Porém,
depois de divididas as tarefas do grupo, seguranças dos manifestantes
passaram a abordar inclusive jornalistas que trabalham no local, pedindo
identificação para que eles possam circular no acampamento.
AUTORIDADES
Perto
das 12h, políticos do PT visitaram o acampamento. "Estamos preparados
para fazer uma vigília pacífica até a libertação do Lula", declarou o
ex-deputado federal Angelo Vanhoni.
"Continuamos recebendo
caravanas e voluntários de diversos estados num grande movimento pela
liberdade do Lula", disse o deputado estadual pelo Paraná, Professor
Lemos.
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