terça-feira, 6 de junho de 2017

Paraná é o segundo estado que mais reduziu mortes de mulheres


Entre 2010, 2015 a taxa de assassinatos caiu 30,2%. Só Alagoas registrou queda maior
  Rodolfo Luis Kowalski / bem paraná 


No último final de semana, mais um caso de feminicídio enlutou o Paraná. É que anteontem foi preso Enio Ivan Bertoncello, suspeito de matar a facadas no dia 31 de maio a estudante de Direito Mahara Scremim, a ex-esposa. O jovem chegou a ir ao velório da vítima e ainda postou nas redes sociais uma foto sinalizando luto pela ex. Ontem, foi preso pela Polícia Civil e confessou o crime, que teria sido motivado por ciúmes.
O caso é mais um entre tantos registrados no estado. Entre 2010 e 2015, segundo dados do Atlas da Violência 2017, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 1.753 mulheres foram assassinadas no Paraná. No período, apenas Bahia (2.514), Minas Gerais (2.571), Rio de Janeiro (2.311) e São Paulo (3.689) registraram mais casos.
Nem tudo, porém, é notícia negativa. É que o Paraná foi também o segundo estado do país que registrou maior queda na taxa de mulheres mortas. Com redução de 30,2%, a taxa por 100 mil habitantes passou de 6,1 em 2010, quando houve 338 ocorrências, para 4,3 em 2015, ano em que 244 mulheres foram mortas no estado.
Entre as unidades federativas, apenas o estado do Alagoas conseguiu um resultado mais expressivo, com redução de 33,7% — a taxa caiu de 8,2 para 5,4 em seis anos, com o número de homicídios caindo de 137 em 2010 para 95 em 2015. Já no Brasil como um todo, a redução foi de 1,5% no período, com a taxa passando de 5,2 (4.477 homicídios) para 4,7 (4.621). Entre os 26 estados e o Distrito Federal, em 14 das unidades houve aumento.
Feminicídio
O Brasil introduziu em seu Código Penal o feminicídio (violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição da mulher) como circunstância qualificadora do crime de homicídio. Os dados do Ipea referem-se aos homicídios de mulheres como um todo.
Polícia matou 22% a mais em 2015
Outro dado do Atlas da Violência 2017 que chama a atenção é referente à violência policial. Em 2015, as polícias do Paraná mataram 241 pessoas, um crescimento de aproximadamente 22% na comparação com o ano anterior, quando foram 198 óbitos decorrentes de intervenção policial.
Apenas as polícias de São Paulo (845), Rio de Janeiro (645) e Bahia (299) matam mais do que a paranaense. No caso paulista, porém, em 2015 houve redução de 11,5% no índice. Para o Ipea, dados como esse demonstram que “práticas letais de agentes estatais não configuram um desvio individual de conduta, mas sim um padrão institucional de uso da força pelas polícias”. No Atlas, o instituto também aponta que, nos últimos anos, “assistimos a um realinhamento a favor desse modelo de atuação policial que permanece como um dos maiores desafios de nosso processo de consolidação democrática e de um efetivo Estado de Direito.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário