Rodolfo Luis Kowalski / bem paraná
No último final de semana, mais um caso de feminicídio enlutou o
Paraná. É que anteontem foi preso Enio Ivan Bertoncello, suspeito de
matar a facadas no dia 31 de maio a estudante de Direito Mahara Scremim,
a ex-esposa. O jovem chegou a ir ao velório da vítima e ainda postou
nas redes sociais uma foto sinalizando luto pela ex. Ontem, foi preso
pela Polícia Civil e confessou o crime, que teria sido motivado por
ciúmes.
O caso é mais um entre tantos registrados no estado. Entre 2010 e
2015, segundo dados do Atlas da Violência 2017, divulgado ontem pelo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 1.753 mulheres foram
assassinadas no Paraná. No período, apenas Bahia (2.514), Minas Gerais
(2.571), Rio de Janeiro (2.311) e São Paulo (3.689) registraram mais
casos.
Nem tudo, porém, é notícia negativa. É que o Paraná foi também o segundo estado do país que registrou maior queda na taxa de mulheres mortas. Com redução de 30,2%, a taxa por 100 mil habitantes passou de 6,1 em 2010, quando houve 338 ocorrências, para 4,3 em 2015, ano em que 244 mulheres foram mortas no estado.
Nem tudo, porém, é notícia negativa. É que o Paraná foi também o segundo estado do país que registrou maior queda na taxa de mulheres mortas. Com redução de 30,2%, a taxa por 100 mil habitantes passou de 6,1 em 2010, quando houve 338 ocorrências, para 4,3 em 2015, ano em que 244 mulheres foram mortas no estado.
Entre as unidades federativas, apenas o estado do Alagoas conseguiu
um resultado mais expressivo, com redução de 33,7% — a taxa caiu de 8,2
para 5,4 em seis anos, com o número de homicídios caindo de 137 em 2010
para 95 em 2015. Já no Brasil como um todo, a redução foi de 1,5% no
período, com a taxa passando de 5,2 (4.477 homicídios) para 4,7 (4.621).
Entre os 26 estados e o Distrito Federal, em 14 das unidades houve
aumento.
Feminicídio
O Brasil introduziu em seu Código Penal o feminicídio (violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição da mulher) como circunstância qualificadora do crime de homicídio. Os dados do Ipea referem-se aos homicídios de mulheres como um todo.
O Brasil introduziu em seu Código Penal o feminicídio (violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição da mulher) como circunstância qualificadora do crime de homicídio. Os dados do Ipea referem-se aos homicídios de mulheres como um todo.
Polícia matou 22% a mais em 2015
Outro dado do Atlas da Violência 2017 que chama a atenção é referente
à violência policial. Em 2015, as polícias do Paraná mataram 241
pessoas, um crescimento de aproximadamente 22% na comparação com o ano
anterior, quando foram 198 óbitos decorrentes de intervenção policial.
Apenas as polícias de São Paulo (845), Rio de Janeiro (645) e Bahia
(299) matam mais do que a paranaense. No caso paulista, porém, em 2015
houve redução de 11,5% no índice. Para o Ipea, dados como esse
demonstram que “práticas letais de agentes estatais não configuram um
desvio individual de conduta, mas sim um padrão institucional de uso da
força pelas polícias”. No Atlas, o instituto também aponta que, nos
últimos anos, “assistimos a um realinhamento a favor desse modelo de
atuação policial que permanece como um dos maiores desafios de nosso
processo de consolidação democrática e de um efetivo Estado de Direito.”
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