Folhapress
EULINA OLIVEIRA SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ibovespa abriu a
sessão desta quinta-feira (10) em alta, mas inverteu o sinal ao longo da
sessão em função do cenário externo negativo. Já na reta final do
pregão, a informação de que o Ministério Público de São Paulo pediu a
prisão preventiva do ex-presidente Lula no caso do tríplex do Guarujá
fez o índice virar mais uma vez e fechar com ganho de 1,86%. As
expectativas em torno de um eventual impeachment da presidente Dilma
Rousseff também contribuíram para que o dólar e os juros futuros
recuassem mais uma vez. O dólar comercial fechou cotado a R$ 3,6420,
menor cotação em mais de seis meses.
Com esse movimento, iniciado na semana passada com os desdobramentos
da Operação Lava Jato, os investidores sinalizam que uma possível
mudança no governo seria melhor para os negócios. O principal índice da
Bolsa paulista terminou aos 49.571,10 pontos. Como tem ocorrido nas
últimas sessões, o giro financeiro foi expressivo, de R$ 11,806 bilhões.
Segundo operadores, o noticiário negativo envolvendo o ex-presidente
Lula, que enfraqueceria mais a presidente Dilma Rousseff, foi o gatilho
para Ibovespa voltar a subir. Contribuiu também o fato de os índices
acionários em Wall Street terem diminuído as perdas no final da sessão.
As ações da Petrobras, que chegaram a recuar pressionadas pela queda do
petróleo, terminaram com avanço de 4,60%, a R$ 7,95 (PN) e de 2,61%, a
R$ 9,81 (ON). Os papéis ON do também estatal Banco do Brasil subiram
5,91%, a R$ 21,50.
Outras ações do setor financeiro também avançaram: Itaú Unibanco PN
(+3,92%); Bradesco PN (+2,98%); Bradesco ON (+3,26%); BM&FBovespa ON
(+4,60%). A exceção foi Santander unit, com -0,88%. Os papéis da Vale
foram destaque negativo de queda: as ações PNA perderam 6,89%, a R$
10,13, e ON caíram 3,44%, a R$ 14,00. A forte queda foi influenciada
pela informação de que a Justiça dos EUA autorizou ampliação do período
que considera a compra de ADRs (recibos de ações negociados nos Estados
Unidos) da mineradora na ação de investidores contra a companhia por
conta do rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG). Outro fator
foi a queda do preço do minério de ferro na China. O setor siderúrgico
subiu: CSN ON ganhou 7,47%; Gerdau PN (+9,59%); Gerdau Metalúrgica
(+14,97%) e Usiminas PNA (+9,89%).
DÓLAR E JUROS
O dólar comercial perdeu 1,51%, a R$ 3,6420, valor mais baixo desde
31 de agosto do ano passado (R$ 3,6290). O dólar à vista recuou fechou
cotado a R$ 3,6510 (-1,64%), também na menor cotação desde 31 de agosto
de 2015 (R$ 3,6325). Pelo terceiro dia seguido, o real apresentou a
maior valorização ante a moeda americana entre as moedas de países
emergentes. Segundo profissionais do mercado, o movimento segue as
apostas de uma eventual saída da presidente Dilma Rousseff do cargo, com
aos desdobramentos da Operação Lava Jato, a denúncia contra o
ex-presidente Lula e as expectativas de que os protestos pró-impeachment
do próximo domingo tenham forte adesão da população. O mesmo movimento é
visto no mercado de juros futuros. O contrato de DI para janeiro de
2017 caiu de 13,890% para 13,830%, e o contrato de DI para janeiro de
2021 saiu de 14,390% para 14,290%. Para analistas, a ata da última
reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central,
divulgada nesta quinta-feira, sinaliza que há espaço para um corte da
taxa básica de juros (Selic) no segundo semestre deste ano, o que ajudou
a derrubar os juros futuros nesta quinta-feira.
EXTERIOR
No exterior, os mercados reagiram mal ao discurso do presidente do
BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, logo após a autoridade
monetária divulgar novas medidas para estimular a economia na região.
Draghi anunciou a redução das projeções de inflação e do crescimento do
PIB (Produto Interno Bruto) na zona do euro. As Bolsas europeias
fecharam majoritariamente em queda: Londres (-1,78%); Paris (-1,70%);
Frankfurt (-2,31%); Madri (+0,07%); e Milão (-0,50%) "Os índices
europeus foram pressionados principalmente pelo setor bancário, em
função dos riscos à saúde financeira dos bancos com a política de juros
negativos do BCE", observa Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide
Investimentos. Nos EUA, o Nasdaq encerrou em queda de 0,03%, o S&P
500 subiu 0,02% e o Nasdaq, -0,26%. A queda do petróleo também colaborou
para o cenário externo desfavorável. O petróleo Brent, negociado em
Londres, recuava 2,14%, a US$ 40,19 o barril, nos EUA, o WTI perdia
0,97%, a US$ 37,92, depois de notícias de que os principais exportadores
poderão não se reunir no próximo dia 20, como anunciado, para discutir o
congelamento de produção. Uma adesão do Irã ao encontro ainda é uma
incógnita. Na Ásia, as Bolsas chinesas caíram cerca de 2% nesta
quinta-feira, reagindo aos dados de aceleração da inflação acima do
esperado.
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