EULINA OLIVEIRA SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar segue em
trajetória de queda ante o real nesta sexta-feira (18), ajudado pelo
cenário externo favorável e pela manutenção das apostas no mercado de
que a presidente Dilma Rousseff deixará o poder. O Ibovespa recua, com
os investidores embolsando lucros após a forte alta de 6,6% nesta
quinta-feira (17) -a maior em mais de sete anos. Os juros futuros de
longo prazo e o CDS (credit default swap), indicador da percepção de
risco do Brasil, também caem. A moeda americana à vista recuava há pouco
0,81%, a R$ 3,6204, e o dólar comercial perdia 0,82%, a R$ 3,6220. O
movimento de queda ocorre mesmo após o Banco Central ter reduzido a
oferta de swap cambial (equivalente à venda futura de dólar). Vitor
Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, comenta que a decisão da
autoridade monetária ocorreu em função do cenário mais benéfico para o
real, como manutenção da taxa de juros pelo Fed (Federal Reserve, o
banco central dos EUA) e as políticas de juros negativos do BCE (Banco
Central Europeu) e o banco central japonês. Segundo ele, a atitude do BC
tende a diminuir a velocidade do movimento de queda do dólar, mas não
interrompe a trajetória de valorização da moeda nacional. "O BC mostra
certo conforto com o atual nível do câmbio, cujo patamar não deve trazer
grandes pressões inflacionárias", avalia a equipe de análise da Guide
Investimentos, destacando que a inflação é a maior preocupação da
autoridade monetária. No mercado de juros futuros, o contrato de DI para
janeiro de 2017 operava estável, a 13,725%, e o contrato de DI para
janeiro de 2021 recuava de 14,060% para 13,960%. Os analistas da Guide
ressaltam que as pressões de baixa se devem "à menor percepção de risco
decorrente de expectativas de troca de governo", O mesmo ocorre com o
CDS, uma espécie de seguro contra calote do país, que recuava pela
terceira sessão consecutiva. Há pouco, perdia 3,79%, aos 370,549 pontos.
BOLSA O principal índice da Bolsa paulista perdia há pouco 1,10%, aos
50.356,27 pontos. "O mercado está de 'ressaca' após a euforia de ontem,
e, sem novidades tanto no cenário interno quanto no externo, faz uma
realização de lucros saudável", diz Alexandre Soares, analista da BGC
Liquidez. As ações preferenciais da Petrobras recuavam 3,20%, a R$ 7,84,
e as ordinárias perdiam 4,11%, a R$ 10,01, apesar dos preços do
petróleo no mercado internacional terem atingido os maiores níveis de
2016 nesta sessão. Em Londres, o petróleo Brent ganhava 1,47%, a US$
42,15 o barril; nos EUA, o petróleo WTI avançava 1,14%, a US$ 40,66. Os
preços da commodity se recuperam com expectativas de que os maiores
produtores chegarão a um acordo para congelamento de produção, além da
fraqueza do dólar e maior demanda sazonal. As ações da Vale tinham alta
de 1,46% na PNA, a R$ 11,10, mas as ON recuavam 0,90%, a R$ 15,36, mesmo
com a valorização do minério de ferro na China pela terceira vez
seguida. O setor financeiro também operava em baixa: Banco do Brasil ON,
-2,41%; Itaú Unibanco PN, -1,45%; Bradesco PN, -3,23%; Santander unit,
-3,08%; e BMFBovespa ON, -2,01%. EXTERIOR A alta do petróleo e o
otimismo provocado pela manutenção dos juros norte-americanos
impulsionam as Bolsas globais. Em Wall Street, o índice Dow Jones
avançava 0,66%, o S&P 500 ganhava 0,42% e o Nasdaq, +0,54%. Na
Europa, a Bolsa de Londres subia 0,12%; Paris, +0,36%; Frankfurt,
+0,36%; Madri, +0,31% e Milão, +0,10%. Na Ásia, com exceção do Japão, as
Bolsas também fecharam em alta diante do dólar mais fraco.
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